
O VI Fórum Europeu do Turismo realizou-se em Portimão, em 25 e 26 de Outubro de 2007, centrando-se no tema Gestão sustentável dos destinos turísticos.
Realizando-se anualmente desde 2002, através de um Estado-Membro em colaboração com a Comissão, trata-se de uma iniciativa que remonta à reunião informal dos responsáveis de turismo dos Quinze, em Santander[1], em Maio daquele ano e tendo a sua primeira edição em Bruxelas a 10 de Dezembro, uma plataforma onde todas as partes interessadas – entidades públicas e privadas - podem trocar opiniões e reforçar a sua colaboração em questões como a relação entre a sustentabilidade e a competitividade do turismo europeu.
Na medida em que a «agenda da sustentabilidade» comporta inúmeros desafios e oportunidades para o turismo, foram seleccionados três tópicos para debate:
1º) Gestão e conservação do património natural e cultural.
2º) Gestão de recursos e resíduos.
3º) Gestão sustentável: a responsabilidade das empresas na competitividade e na criação de emprego.
No que concerne ao primeiro tópico, considerou-se que o turismo pode contribuir de forma relevante para a conservação do património natural e cultural, invocando-se a necessidade do desenvolvimento de parcerias para obstar às pressões e a melhoria da coordenação entre os organismos do sector público ao nível europeu, nacional e regional. Apontou-se também para uma maior clareza dos instrumentos políticos e o envolvimento das populações locais nas estratégias e acções relativas ao património cultural e ambiental.
Do fórum resultaram três condições essenciais para a prestação de serviços turísticos sustentáveis nas áreas protegidas:
1ª) Quando necessário uma protecção jurídica e uma aplicação da legislação mais rigorosas.
2ª) Planos de gestão de elevada qualidade executados por pessoal reunindo várias competências.
3ª ) Suficiência dos recursos financeiros.
Alertou-se para o perigo de a regulamentação da UE impedir a criatividade das empresas do sector do turismo bem como das comunidades e a circunstância de os prémios Destinos Europeus de Excelência constituírem bons exemplos de diversificação do produto turístico norteados por princípios da sustentabilidade.
Relativamente ao segundo tópico, relativo à gestão de recursos e resíduos constata-se que muita coisa pode ainda ser feita nestes domínios, evidenciando-se, no entanto, que tal pode resultar em preços mais elevados para o consumidor.
Aceita-se a hipótese da necessidade de nova legislação a qual frequentemente não é aplicável ao sector do turismo como a nova directiva-quadro relativa à água.
A sensibilização dos consumidores pode realizar-se através de mecanismos fiáveis como os rótulos ecológicos. O ideal é surgirem associados à qualidade da experiência do visitante como sucede na Bandeira Azul.
Quanto aos impactos impõe-se a sua contínua supervisão e medição rigorosas em ordem a uma gestão satisfatória dos destinos.
Entrando no terceiro tópico, relativo à gestão sustentável aponta-se o papel essencial das empresas.
Aponta-se a sazonalidade como o principal inimigo da sustentabilidade e as novas oportunidades de emprego designadamente na restauração e através da utilização dos produtos locais.
Carlos Torres
[1] De harmonia com as declarações do finlandês Errki Liikanen, então comissário europeu para as Empresas e Sociedades de Informação, o fórum tinha por objectivo organizar um "desenvolvimento sustentável" do turismo, passando pela melhoria do ambiente e pelo respeito ético. Visava especialmente temáticas como o trabalho infantil ou exploração sexual e uma melhor integração do turismo no conjunto da política europeia.